Acabei de voltar da missa. Fui na Igreja Matriz. Entendi tudinho, porque, lá, todos falavam italiano mesmo e não dialeto.
Foi muito legal. Tinha bastante tempo que não ia à missa, tirando as da minha mãe. Aliás, acho que ela e meus avós devem ter gostado bastante de eu ter ido. E olha que quase não ia... tava morrendo de sono, porque não tinha dormido bem na noite anterior. Mas é claro que nunca poderia deixar de viver essa experiência, né? Fiz um esforçozinho e valeu muito a pena.
Saindo da missa, me deu fome (novidade...). Resolvi ir num lugar que, ontem à noite, tava cheião. Pensei: "pô, isso só pode ser bom". E era.
Caraca, descobri a melhor pizza da Itália. Fica aqui em Polignano mesmo. O lugar se chama La Foccaceria e o endereço é Via San Vito, número 10. Pertinho da ponte Lama Monachile (aquele viaduto cuja foto eu postei, onde se tem acesso à Cala Porta).
A gente chega perto e já sente aquele cheirinho de massa assada. O troço é tão bom que tem senha pra pedir! E tá sempre lotadoooooooo!!! Funciona assim: você chega, pega uma senha num desses suportes plásticos de senha com pedestal e fica esperando mostrar no visor atrás do balcão. Quando chega sua vez, você pede o sabor escolhido. O mais básico lá é o que mais sai - e é simplesmente sensacional: tomate com azeitona. Mas prestenção: a pizza na Itália não tem, necessariamente, mussarela. Eu até pedi uma com muzzarela e coto (presunto cozido). Mas o recheio escolhido vem sempre em cima da tal básica de tomate e azeitona. A pizza é vendida a peso (você diz o tamanho que quer e as atendentes cortam e pesam) e custa, em média, uns 6E o quilo. (uma fatia de um quarto de pizza sai mais ou menos de um a dois euros).
Gente, não dá nem pra explicar como é bom. Acho que o segredo é que tem tanta, mas tanta saída que fica aquela coisa maravilhosa, literalmente vinda do forno pra você.
Como eu disse, italiano não tá nem aí pro queijo (na pizza). Eles ligam é pra massa e pro tomate. E que tomate! Parece tomate seco, mas não é ressecado não, é macio e gordinho. A massa é gostosa demais, não sei como eles fazem. Fica tostadinha, mas macia. Essa pizza é bem gordinha, uma fatia de um quarto é um jantar. E foi esse o meu hoje. Mas, não sou boba nem nada, comprei outra, pro almoço de amanhã, que deve ser no trem.
Amanhã vou embora... vou começar o Caminho.
Engraçado que me deu uma tristezazinha. Uma saudade daqui. Como falei, tirando uns estranhamentos que já passaram, me senti em casa. E não sabia que ia sentir assim. Me deu vontade de voltar, de ficar... talvez seja porque, de alguma forma, me senti um pouco perto da minha mãe.
Hoje foi o domingo da Ascenção e o padre tava falando em "separações" (porque quando Jesus subiu ao céu os discípulos devem ter sentido uma saudade danada d'Ele). É difícil se separar, seja lá do que for. Até do que não é bom. Separação é morrer um pouco. Quando a gente se separa de alguém, uma parte de nós morre -a parte que era o interlocutor daquele alguém. E isso, ao lado da saudade mesmo da pessoa, é o que mais dói.
Eu já tô com saudade da Puglia.
Há 16 anos