Que dia comprido...
Passei por quatro cidades hoje: Polignano, Bari, Roma e finalmente Rieti. Viajei dez horas, praticamente o mesmo tempo que gastei do Brasil pra Europa. Mas cheguei, e confesso que foi mais tranqüilo do que imaginava.
Saí de Polignano no trem das 11:24 pra Bari. Já tinha estudado o menor percurso entre o hotel e a estação e tinha visto, também, que, na estação, tinha uma parte com rampa. Meno male.
Já descobri o segredo de conseguir me dar bem com a mala: não ter pressa. Ir andando com ela devagarinho, sem dar trancos, subir e descer escadas sem desespero. É, gente... subir e descer muuuuitas escadas. Aqui na Europa eles não tão nem aí pra sua mala. Não é como no Brasil, em que toda estação de metrô, rodoviária e tal tem escada rolante. Não mesmo. Se vira, véio.
Cheguei na estação e sentei no banquinho pra esperar. Tinha um vovozinho do meu lado. De repente ele começou a falar. Meu Deus. Desespero. Nada, nada, não entendi nada. Falei bem devagar pra ele, no meu italiano, que me desculpasse, que eu não tava entendendo, que eu era brasileira. Ele me entendeu. Fez que sim com a cabeça e continuou a falar, um pouco mais devagar. Eu ia pescando uma palavra ou outra...
Os idosos, em Polignano, eu tive a impressão de que falam o dialeto ainda de um jeito mais complicado. Os mais novos devem ser mais viajados, talvez, ou, de alguma forma, ter mais contato com grandes centros, onde se fala o italiano mesmo, esse oficial.
Eu tinha dito que o dialeto não tem vogal, né? Tem sim. O “i”. Imagina uma língua só de consoante e “i”. É muito comédia, cara. Parece um monte de bonequinho brigando (porque, além de tudo, é rapidíssimo e um pouco alto).
Quase todo mundo fala alto na Itália. Incomoda um pouquinho, depois de um certo tempo. A gente que não ta acostumado se sente um tanto agredido com essa forma de se expressar. Mas, pra eles, é completamente natural.
O trem que me levou de Polignano a Bari era muuuuuito melhor do que aquele que me trouxe. Aqui não tem muito padrão não. Depende do percurso e do tipo do trem. Calhou de ser um com ar condicionado e sem escada pra subir. Rapidinho cheguei em Bari.
Faltavam ainda umas duas horas pra sair o trem pra Roma. Eu deixei minha mala no guarda-bagagem (4E cada cinco horas) e fui dar umas voltas, porque eu adoreiiiiiii Bari. Tava no horário fantasma, mas, mesmo assim, eu curti.
Segredinho pra ir pra plataforma do trem que vai pra Roma sem ter que subir e descer escadas na estação de Bari: joga uma conversa no pessoal do atendimento da estação (tem uma sala da Trenitália lá) que o sujeito te leva num elevador especial pra pessoas velhas ou deficientes (com a mala, eu tava nessa categoria). Belezinha, resolvido o problema. Já tava no “binário 3” (plataforma de onde sai o Eurostar pra Roma.
Eurostar é o trem mais caro, que vai mais rápido e que tem os melhores serviços. Em geral, só é colocado em trechos muito procurados (entre grandes cidades, por exemplo). Mas você acha que, só por ser muito caro, vai ter facilidades com a bagagem? Não vai. Simplesmente, não tem lugar pra mala grande. Eu tive que empurrar minha mala num vão entre dois bancos pra ela poder caber. E, em cada parada, ficava nervosa pensando se ia subir alguém que tinha comprado aquela cadeira. Pô. Fiquei ppppppppppppppp da vida! Você paga caro pra caramba e não tem o óbvio?????????
A viagem foi chata, comprida, tensa e desconfortável (tava uns 587.908.786 graus hoje. Calor medonho. E ar condicionado fraco). Mas... cheguei em Roma.
No Termini, fui procurar o adaptador (aê, Fabi... valeu pela oferta, mas consegui um!). Se eu não achasse ali, não ia achar mais em lugar nenhum. Achei. Caro (15E), mas, como não tinha opção...
Do Termini, tinha que ir pra estação Tiburtina, de onde sai o ônibus pra Rieti. São só umas cinco estações de metrô, mas foi o pior trecho da viagem. Já sabem por quê, né? Escadas e mais escadas e mais escadas... Ainda bem que, nos piores momentos, sempre apareceu uma alma caridosa pra me ajudar.
Cheguei na estação e vi que tinha zilhões de ônibus em volta. Tem tipo um terminal ali. Fiquei meio perdida, mas logo me disseram que os da empresa que vai a Rieti (Cotral) ficam à direita da saída da estação de trem.
Lá fui eu. Vi um ônibus que achei que era e perguntei pro motorista. Era. Falei “e a mala?” Sabe o que a criatura me respondeu? “Coloca aí embaixo no bagageiro”. Aham, isso mesmo. É VOCÊ QUEM COLOCA A MALA ALI. Eu olhei pra ele quase pedindo socorro (você tem que levantar aquela porta pivotante pesadona pra por a mala e depois fechar). Aí ele veio com a maior cara feia e fez pra mim... meno male, de novo...
O caminho pra Rieti é até bonitinho, mas o trânsito é ruim. Levamos mais ou menos uma hora e meia.
Finalmente cheguei no hotel. Pô, essa foi a parte legal da coisa. O hotel é mó legal! Tudo diferente de Polignano: quarto grande, banheiro grande, reformado, todo bonitinho, muuuuito mais barato e... sem o Adriático na frente. Mas... eu já vi o Adriático mesmo... J
Gente, já é quase meia noite. Eu vou dormir. To cansada. Amanhã conversamos.
Beijos e fiquem com Deus.
Há 16 anos