Hoje foi o dia de La Foresta.
Já tinha suspeitado que esse santuário é bem pequeno e que, portanto, não tinha muito sentido eu ficar lá horas e horas. E mais: depois da lacraia, ontem, eu percebi que não sou tão corajosa assim pra ficar nos matos não...
Então peguei o ônibus das 12:20 aqui na praça Cavour, pra voltar no de 14:25. Linha 114 da ASM (transporte local dentro de Rieti). O bilhete, tava usando aquele de ontem (vale três dias).
Não tem esse tipo de explicação em lugar nenhum, então, eu tava meio perdida: na verdade, o ônibus, na IDA, não passa pelo santuário. Só na volta. A gente tem que fazer assim: vai da Piazza Cavour até Castelfranco (que é a “capolinea”, ou estação final) e espera ele sair pra voltar pra Rieti. Aí, sim, é que ele passa pelo Santuário. Aliás, passa PERTO e não na porta mesmo do santuário.
Eu tava com medo desse perto... achei que fosse ter que andar pelos matos. Mas não, dá tranquilinho pra ir. A gente salta num entroncamento que, de um lado, tem o caminho pra Rieti e, do outro, a descida pro santuário.
Fui descendo. É muito bonitinho. Tem uma horta imensa ali em volta. E uns predinhos junto à igreja principal, onde fica a capela. Na rua, estações da via sacra.
Cheguei na porta da igreja e achei que tava fechada. Fiquei dando umas voltas pelo entorno, é lindo! Cheiro gostoso, não sei de que planta é, mas muito bom. Só que... era tanto inseto zumbindo no meu ouvido, dando cada rasante perto de mim, que eu comecei a ficar aflita. Pensei: “meu Deus, como esses frades aguentam isso???”.
O repelente que eu coloquei parecia “atraente”. La Foresta fica mesmo na... floresta. Do lado da placa onde tem a parada do ônibus, tem outra dizendo o seguinte: “Proibido caçar”. Sensacional. O que será que tem por ali pra caçar? Nem quis ficar pensando...
Não tinha ninguemzinho por lá. Mais vazio do que Fonte Colombo. Um fradinho que entrou de carro pelo caminho perto da horta adentrou no prédio e sumiu de vez.
Vi que a capela tava aberta, resolvi entrar. Lá dentro, o oásis. Nenhum zumbido. Decidi ficar ali até a hora do ônibus!!!
E foi legal... fiquei pensando na vida. Na minha vida. E vi que Deus me deu uma vida realmente muito boa. Que nem um joguinho de cartas de paciência, esses de computador. A gente recebe as cartas e o nosso papel é fazer o melhor possível com elas. Não adianta nem perder tempo cogitando as razões de as cartas serem aquelas e não outras, ou pensando que os outros recebem cartas melhores. Eu tenho me esforçado pra fazer um bom jogo – e acho mesmo que tenho conseguido. Fiquei olhando pra esse jogo e achando que, com aquelas cartas, o trabalho tinha ficado bom. E que Deus, o tempo todo, tinha ficado junto, me dando força pra continuar.
Vi também que uma coisa que me ajudou muito foi persistir. Teve momentos em que o jogo tava difícil e a vontade era de desistir. Mas a vida não tem rascunho, né? Não tinha a possibilidade de eu clicar num ícone e mudar as cartas. Se eu quisesse mudar o jogo, tinha que investir no trabalho meticuloso, lento, cansativo e exigente de fazer isso aos poucos.
E vi, finalmente, que uma outra coisa muito útil foi enfrentar meus medos. ARRISCAR. Quase tudo que me aconteceu de bom na vida veio disso. É claro que eu paguei os preços. Ninguém se arrisca de graça. Perdi, muitas vezes. Mas o saldo tá pra lá de positivo.
E ali, na capela, ouvindo os passarinhos cantarem do lado de fora, agradeci mil vezes a Deus pela vida maravilhosa com que Ele me presenteou.
Há 16 anos