Minha lista de blogs

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ultimo post na Italia

Queridas pessoas...

Este é, provavelmente, o último post que escrevo na Itália. Já de posse do meu lap top, que estava guardado com as irmãs, estou escrevendo no Word pra depois publicar no blog, numa lan house que tem aqui perto.

São dez da noite aqui. Aí, cinco da tarde. Já tô totalmente acostumada ao fuso horário europeu. Tô lascada semana que vem... vou dormir em cima da mesa de trabalho.

Não queria encerrar as postagens made in Italy sem escrever algumas coisas.

A primeira delas é, naturalmente, um grande agradecimento a todos os que possibilitaram, viabilizaram, contribuíram, acompanharam e, de alguma forma, fizeram parte desta aventura comigo. Então, vamos lá.

Como sempre, antes de tudo e todos, a Deus...

À minha querida família. Ao meu pai, em especial.

À nossa queridíssima “Juliete”, pela ajuda que tem nos dado.

À Claudinha, que salvou a viagem (ela sabe por quê).

Ao Jean, que me ensinou a blogar (você criou um monstro... hehehe).

Ao Paulo, que me ajudou a ter fôlego pra empreitada. Literalmente. :-)))

Aos amigos que acompanharam o blog e fizeram comentários, nunca me deixando sozinha: André, Fabiano, Rô (ordem alfabética pra não rolar ciúmes, viu?).

A todas as pessoas queridas que acompanharam, mesmo sem postar comentários.

E a outros, antes desconhecidos, que de agora em diante vão ficar guardados no meu coração, especialmente às Irmãs Concepcionistas e aos Frades Franciscanos Menores.

Queria também fazer alguns comentários sobre a viagem, que podem, talvez, ser de alguma utilidade pra quem quiser fazer algo parecido.

Inicialmente, tenho que reconhecer que é preciso uma certa dose de audácia pra fazer o que eu fiz. Quem não suportar passar perrengues, não deve fazer. São pequenas contrariedades que, na minha visão, ajudam a gente a crescer, a viver, a experimentar, a ampliar horizontes. Aumentam nossos limites. Mas não é fácil, nem totalmente confortável.

Probleminhas físicos, eu tive o tempo todo. Desde a amidalite, até a alergia (não postei isso, mas demorei mais de uma semana pra ficar boa), piriris, dor nas costas, hematomas tive diversos, ferida no pé e blá, blá, blá...

Medos, também nos acompanham o tempo todo numa viagem assim. Mulher, sozinha, estrangeira, andando nos matos... sinceramente, não recomendo que nenhuma mulher faça o Caminho sozinha. E mesmo fazendo do jeito que eu fiz, sem percorrer os trajetos a pé, também não é muito fácil não. Vocês viram a pauleira que foi arranjar meios de transporte e conciliar tudo isso com uma mala grande.

A questão da mala, por falar nisso. Vi que não tem jeito de trazer mala menor. Eu usei praticamente tudo que trouxe. Não tinha supérfluo. Pra ficar quase um mês aqui, seria impossível trazer menos coisas. Exceto se adotasse aquele esquema da única muda de roupa... pra mim não dá não.

Mas, com todas essas dificuldades – e, talvez, um pouco por causa delas também, a experiência foi simplesmente maravilhosa. Valeu muuuuito a pena. Parece que eu tô na Itália há cinco anos, de tanta coisa que eu vivi aqui. De quebra, também tive a oportunidade de pensar na vida e perceber que preciso fazer algumas mudanças quando voltar pro Brasil.

Queria ainda comentar que algumas coisas foram simplesmente imprescindíveis para a viagem dar certo. Pra quem quiser fazer benchmarking... :-)))

Em primeiríssimo lugar, as Irmãs, que, além de serem umas fofas, me livraram do peso da bagagem. Em segundo lugar, a lista de remédios que eu trouxe. Sem eles, teria passado perrengues além do suportável. Em seguida, vem a pochete. Mó acerto. Salvou meus ombros e braços (mas dói um tiquinho na lombar, se estiver pesada. Como os ombros estão em pior estado...). E, finalmente, a sandália da Timberland. Fiquei 80% do tempo com ela. Agüentou sol, chuva, mar, pedra, asfalto, tudo sem reclamar (tá novinha). Um indicador de que ela funcionou é que somente hoje coloquei o primeiro bandaid no pé, pois tinha um cortezinho no calcanhar.

Bem, gente... agora só me resta fazer um apanhado geral do melhor e do pior, pra resumir tudo.

Melhores momentos (vamos começar com as comidas?):

Sorvete: Gasperini, em Bari. De tiramisu e cioccolato al’arancia;

Pizza: a brasileira. Mas, se você quiser focaccia, vá a La Focacceria, em Polignano a Mare;

Hotel: somando tudo, acho que o melhor, em termos de custo, localização e serviço, foi o de Bari: Hotel Adria. Os outros podiam ser melhores em algum ponto isolado, mas esse, no conjunto da obra, superou todos.

Lugar: ah... apesar do céu escandalosamente azul de Bari... do mar turquesa de Polignano... do cheirinho de mato na Villa Borghese, em Roma... o melhor lugar do mundo ainda é... Assis.

Agora, vamos às roubadas da viagem. Aprendi uma coisa: não gostei de nenhum dos lugares recomendados nos guias. Sei lá, de repente, meu gosto é diferente... só sei que, toda vez que segui as recomendações, me decepcionei. Em geral, elas ficam longe de onde você vai - e aí você tem que mudar sua rota pra conhecê-las, o que aumenta sua expectativa em relação a elas e, portanto, seu nível de exigência. Os lugares legais que descobri foi adotando o seguinte método: seguir os italianos. Onde tinha gente falando alemão, eu nem passava perto. Só parava onde havia aglomerações dos locais.

Bem, vamos às furadas:

Campeoníssima, a Trenitália. Meu Deus, que serviço ruim. É preciso reconhecer, de qualquer modo, que os trens são pontuais, em 99% dos casos. Ponto pra eles. Mas é só. No mais: falta de cortesia no atendimento (bem, isso é comum na Itália...), preços altos pra um serviço que não merece, ausência de espaço, nos trens, pra bagagem, mesmo nos trechos longos (simplesmente IMPERDOÁVEL!!!), bagunça total dentro dos trens, com o pessoal da segunda classe ocupando lugares na primeira, ninguém checando a validação dos bilhetes e blá, blá, blá... se você for andar de trem por aqui, exceto se tiver muuuuito espírito esportivo, tá ferrado...

Outros meios de transporte, de um modo geral. Taxi, foi aquela complicação que vocês já sabem... prepare-se para ser extorquido, se você precisar de um. Ônibus com horários esparsos e cobertura deficiente. Em resumo: alugue um carro, quando vier pra Itália...

Falta de gentileza. Olha, se você for uma pessoa sensível, não venha pra cá. Italianos, assim como outros europeus, são muito assertivos, o que, no Brasil, pode ser considerado um comportamento rude. Talvez o brasileiro é que seja gentil demais, não sei. Já ouvi falar isso também. Enfim. Pra não se aborrecer, você tem que ajustar seu comportamento ao nível local. Quando voltar ao Brasil, além de se reacomodar ao fuso horário, você se reacomoda ao perfil de homem cordial...

No mais... tudo correu muito bem e deu super certo. Graças ao Papai do Céu, que o tempo todo cuidou de mim – e a vocês, pessoas queridas, que estavam por perto com sua energia mais que positiva. Muito obrigada mesmo.

Té mais!!! Fiquem com Deus!!!