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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Spoleto, Trevi, Foligno, Spoleto

Spoleto eh legal. Mas nao perca muito tempo nela. No maximo um dia, sem dormir.

Ontem eu ja tinha dado uma andada na cidade e acabei conhecendo a unica coisa que ela tem que realmente chama a atençao: o Duomo. Eh uma igreja linda, em estilo gotico-romanico, toda em pedra. Tem detalhes muito bonitos, como o piso em marmore, parcialmente feito em mosaico, mas eh um mosaico muuuuito pequenininho, trabalhadissimo. Mas a coisa mais legal dali eh mesmo uma cartinha que Sao Francisco escreveu, de proprio punho, para o Frei Leao. Fica numa capela lateral da igreja. Muito fofo.

Quase toda cidade antiga (e importante) italiana tem um “Duomo”, que eh a igreja principal do lugar. Duomo significa, se nao me engano, domus, que significa, se nao me engano, aboboda ou algum outro termo arquitetonico parecido. Enfim. Quando voce estiver numa cidade que tem Duomo, va nele, porque sem duvida vai ser a coisa mais bonita do lugar.

Tendo conhecido, ja, o Duomo daqui, nada me restava a fazer. Na realidade, Spoleto acabou sofrendo o efeito “pos-Assis”. Tudo depois de Assis perde um pouco a graça. Aconteceu isso na viagem passada, quando consegui nao gostar de Roma (de Roma!), porque fui pra la depois de Assis.

Spoleto eh o seguinte: como frequentemente acontece por aqui, tem um centro historico (a parte antiga) e uma parte mais nova. A estaçao de trem fica na nova e o que atrapalha um pouco eh que o centro historico fica numa subida bastante ingreme. Pra ver tudo o que eh interessante, entao, voce tem que subir muuuuuito. Alem disso, as coisas legais ficam espalhadas. Entao, alem de subir, voce tem que andar pra la e pra ca. As ruas sao incrivelmente apertadas (praticamente nao passam carros, ha somente becos) e um pouco escuras. E ainda tem a circunstancia agravante de ser cidade-fantasma...

Hoje de manha, querendo ver gente, perguntei no hotel se nao tinha um local assim mais movimentado e tal. A recepcionista disse: “Tem sim, rua tal”. Fui pra rua tal. Era uma rua de pedestres que tinha umas lojinhas (caresimas) e um tiquinho de nada de gente...

Voltei pro hotel, almocei (pao, queijo, tomate, vinho e cereja) e fui dormir. Acordei e a hora fantasma ainda tava longe de terminar. Pensei: “Spoleto ta chato. Vou passear”.

Entrei na internet e procurei qual era a cidade mais proxima que tinha trem. Trevi. Vou pra la.
O trem saia em menos de meia hora e o hotel eh looooonge pra caramba da estaçao. Fui voada. Mas cheguei a tempo.

Em minutos, estava em Trevi. Desci do trem e nada nem niguem. Mas eu ja to acostumada, ja conheço o esquema. Procurei uma plaquinha onde estivesse escrito “centro historico”. Nao tinha. Mas, da estaçao, a gente ve a parte velha da cidade, no alto de um morro.

Fui andando... achei um sujeito na porta de uma mercearia descarregando produtos. Perguntei pelo centro historico. Ele fez uma cara de desconfiado... e falou: “bem, sao quatro quilometros. So que eh subida”. Ahhhhh, ta...

Corajosamente, comecei a escalar a montanha, bem calminha (nao tao calminha, porque a estrada tava completamente vazia), apreciando as casas bonitas que havia por ali, com jardins cheios de flores. Ate que um caozinho latiu nas redondezas. A coragem acabou.

Olhei pro relogio e o proximo trem pra Spoleto passava em cinco minutos. Eu tinha que literalmente voar se quisesse pegar. Como nao tenho asas... acabei perdendo. Procurei o trem seguinte e vi que rapidinho chegava um. Dali a duas horas.

Pensei: “To fora. Nao vou ficar na cidade mais-que-fantasma, na hora fantasma, esperando esse tempo todo”. Pesquisei na minha memoria RAM qual era a cidade grande mais perto dali, devia ter mais trens pra Spoleto. Era Foligno. Fui pra Foligno.

Cheguei em Foligno e o proximo trem pra Spoleto era... o mesmo trem que passava em Trevi. Ja conformada de ter que esperar duas horas, ao menos achei bom estar numa cidade grande, pois a essa altura meu estomago tava roncando de fome.

Perguntei pra um atendente, na estaçao, se tinha um centro comercial ali proximo. Ele disse que sim, bem pertinho. Mas eu ja to calejada com o pertinho desse pessoal. Me preparei pra andar uns dez quilometros em aclive.

Nao, era pertinho mesmo. Dei uns cinquenta passos e encontrei o paraiso: um supermercado e uma loja de departamentos lado a lado. Fui primeiro comprar comida, eh claro.

Queijinho, suco de pera, torrada e chocolate. Devorei tudo em segundos. Depois fui dar uma olhada “nas modas”, como dizem os antigos. Nao vi nada que me apetecesse e resolvi dar uma rodada em Foligno.

Adorei. A cidade tem gente, tem igrejas bonitas, tem comercio, enfim, nao eh fantasma. Fiquei rodando ate dar a hora do trem da volta.

Quando cheguei na estaçao e olhei na placa que anuncia as plataformas dos trens, nao vi o que eu pretendia pegar. Isso eh um pessimo sinal. Fui perguntar na bilheteria e ele realmente so funciona no inverno, parece. Aqui tem dessas coisas. Tem um zilhao de asteriscos depois de cada trem anunciado. Horarios, dias, categorias diferenciadas... o fato eh que so consegui pegar o trem pra Spoleto as oito da noite. Cheguei na cidade fantasma na hora fantasma.

To cansadissima, como voces podem imaginar. Vo mimi.

Amanha vou pra Roma e, depois, pra Bari. Finalmente, a Puglia de novo.

Assim que eu puder, dou noticias. Fiquem com Deus.