Hoje foi um dos dias mais legais da minha vida.
Sao dez da noite.
Depois que postei pela ultima vez, voltei pro quarto, mas comecei a ficar agitada, porque queria voltar pra Basilica e me confessar. Esperei dar tres horas, que era o horario em que as confissoes reiniciavam e fui pra la.
Entrei, tinha um fradinho no confessionario. Expliquei pra ele que nao falava bem italiano, mas que precisava me confessar. Ele disse: "ta bom, vamos la".
Eu tinha ido, conforme comentei antes, meio que por formalidade, soh porque nao queria entrar na capela de Sao Francisco sem confessar. Entao, mentalmente, tinha feito uma listinha do que ia falar pro padre e tal... tipo um bate bola. Eu falava, ele me dava a absolvicao, beleza, vou pra capela. Estava ligada no modo "racional". Sem sentimento, sabe como eh?
Totalmente blase, comecei pelos pecadinhos que eu achava mais leves. Disse: "bom, nao tenho ido a missa nos ultimos meses...". Ia continuar, mas ele me interrompeu. "Por que?". Pronto. Acabou a racionalidade. Comecei a chorar.
Todos os meus "porques" com Deus sao complicados. Pra explicar, tive que me virar, em italiano, pra falar de coisas super centrais e importantes na minha vida. Mas ele entendeu tudinho. Ia me olhando com uma mistura de atencao, carinho, compaixao, cuidado... coisas que dificilmente a gente encontra perdido por ai. Que legal, isso. Como eh lindo a gente ver uma pessoa ter nocao do outro. Entender mesmo o outro. Na minha pequena experiencia, pois, de um modo geral, sempre tive dificuldade de me colocar no lugar dos outros, a gente soh consegue isso quando nao esta autocentrado e obcecado por si mesmo, por suas proprias questoes, quando nao esta SE DEFENDENDO.
Ele comecou a falar, de um jeito super amavel, que os "erros" eram ruins PRA MIM, antes de mais nada... e nao precisou muito pra ele me convencer disso. Na verdade, eu ja sabia.
Me mandou rezar dois rosarios, um hoje e outro amanha. Sabe quanto eh um rosario? Sao tres tercos. Pensei: "quero fazer isso num lugar quieto". A igreja tava cheia de gente. Sai, fui andando... ate que encontrei uma rua calminha, onde nao passava carro nem gente. Linda, toda cheia de arvores de um lado e de outro. Era ali que eu ia ficar.
Rezei o rosario de hoje passeando na rua calminha. Enquanto isso, pensava na minha vida, em tudo que Deus me deu... poder estar ali, vendo aquilo tudo, ouvindo os passarinhos, sentindo cheirinho de mato, sabendo que Deus tava cuidando de mim, sabendo que existe amor e compaixao no mundo, apesar de tudo... Foi muito legal. Na verdade, foi o melhor momento da viagem. E um dos melhores da minha vida.
Enquanto rezava, vi que o tempo foi melhorando cada vez mais. O ceu estava lindo, azul toda vida. Sai dali e fui dar mais umas voltas na cidade. Tudo dourado com o fim da tarde. Como eu adoro Assis...
Voltei pro hotel com meu coracao pulando de alegria. O sol tinha voltado a brilhar, dentro e fora de mim.
Há 16 anos