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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sobre Deus, santos e religião

Sempre fui católica, desde pequena. E a religião, ou, melhor dizendo, a espiritualidade, deve ter sido, durante todo esse tempo, o aspecto mais central da minha personalidade. Deus sempre foi meu grande interlocutor. E como, durante muitos anos, não tive problemas com a religião católica, tudo se encaixava perfeitamente bem, bastando, pras coisas darem certo, que eu fizesse a minha parte, porque a d'Ele sempre estava ali.

Até que comecei a enfrentar crises espirituais muito profundas, que nem tinham relação com a religião, mas com a ideia mesmo de Deus. O engraçado é que nunca, nem por um décimo de segundo, consegui duvidar que Ele existisse. É estranho. Ao mesmo tempo em que, racionalmente, sou obrigada a admitir que faria muito sentido eu ter "inventado" Deus, como tantas outras pessoas teriam feito, emocionalmente e espiritualmente não consigo acreditar que Ele não exista. Seria algo como dizer que eu não existo.

Pode ser porque essa "invenção" esteja tão arraigada na minha personalidade que eu tenho medo de um esfacelamento identitário, se perdê-la. Pode ser. Só que... tenho percebido que as pessoas fazem tanta loucura, tanta coisa boa, tanta coisa ruim, fazem de tudo pra manter a integridade da sua identidade - da maneira como elas se vêem e vêem o mundo... que, se Deus for invenção minha, eu vou me perdoar por essa fantasia... esse é o meu jeito de manter a minha integridade.

Mas, tirando todos esses processos mentais... na realidade, o que me convence mesmo de que Ele existe (ou de que eu não existo sem Ele, seja invenção ou não), são todos os "pequenos e belos detalhes", cada mínima coisa que aconteceu no momento certo e improvável, que não era pra ser mas foi, que mudou escandalosamente o curso das coisas só pra conter minhas lágrimas, me fazer sentir bem, colocar um sorriso no meu rosto, trazer paz pro meu coração... se isso saiu de mim, da força do meu pensamento, da energia que eu projetei, eu quero chamar essa energia de Deus e dizer mil vezes pra Ele que sou muito, mas muito grata mesmo por Ele existir e cuidar assim de mim.

Então, no meu coração, eu não tenho nenhuma sombra de dúvida de que Deus existe e me ama.

E não tenho, também, nenhuma dúvida de que o melhor jeito de se viver é a religião católica. Embora hoje eu nem saiba se, tecnicamente, ainda sou católica.

E, quanto aos santos... não tenho nenhuma dificuldade de acreditar em santos. Que, para mim, são pessoas normais que viveram de modo extraordinário a vida de todo dia. Não penso em santos como fornecedores de milagres. Acho que são simplesmente como todo mundo, só que praticando ao extremo duas características que estão ao alcance de qualquer um que batalhe por elas: a determinação e a coragem. Não existe felicidade pronta, que cai do céu em cima da gente. Santo é o sujeito que conseguiu construir essa felicidade, para si e para os que estavam perto (ou até longe) dele.

É um pouco por isso que tô querendo fazer o "Caminho". Pra tentar conciliar essas coisas dentro de mim. O que vai no coração e na mente.

Fiquem com Deus.